7 coisas que aprendi ontem sobre a comida alentejana

1. É melhor fazer um pequeno aquecimento antes de entrar num restaurante alentejano. Exercitar os maxilares para cima e para baixo, distender o estômago para os lados e rodar as articulações para aguentar o peso dos talheres durante horas a fio.

2. É impossível resistir ao couvert. Porque não são carcaças com patê de sardinha. No Alentejo levam o couvert a sério e vem com pão alentejano, charcutaria da boa e azeitonas escorregadias do azeite.

3. Não obstante, enfardar o couvert todo levanta um problema metafísico. Já não temos 100% do espaço disponível para acomodar uma dose de comida que em lugar algum do mundo seria pensada apenas para 1 pessoa – só aqui, no Alentejo.

4. A partir deste momento começamos a encarar a refeição como uma espécie de batalha de honra. Cada garfada é um ato de prazer mas depois de 15 já estamos satisfeitos – só que nunca ninguém na História do Alentejo parou por aqui. Avançamos para mais 10 garfadas e ficamos cheios. Mas a maravilha à nossa frente merece o melhor de nós. Chegamos às 35 a abarrotar. E quando já só sobra um pedacinho de carne uma voz na nossa cabeça entoa os acordes da música “Eye of the Tiger” e sentimo-nos impelidos a ganhar aquele duelo, é uma questão de honra.

5. Durante este fatídico processo, agradecemos mentalmente por cada vez que sai um arrotinho silencioso – significa que de onde saiu esse ar vagou mais um espacinho onde vão caber umas garfadas. Não tentem fingir que isto nunca vos aconteceu, suas princesas.

6. Quando acabamos o prato principal e sentimos que não cabe nem mais um smint, descobrimos que a saciedade funciona por compartimentos, porque perante a espectacular carta de sobremesas regionais acaba de vagar milagrosamente um cubículo nas traseiras do estômago para atacar uma a meias. A gula consegue ser anti-natura.

7. No fim, arrependemo-nos bestialmente da quantidade pornográfica de comida que ingerimos e acabamos a refeição sem saber se vamos sobreviver à digestão.
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Tudo isto aconteceu ontem à noite na Tasca do Celso, em Vila Nova de Mil Fontes, entre mim e o melhor ensopado de cordeiro da minha vida.

Obrigada pelas vossas dicas, malta

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