O mundo não está fácil para os solteiros.

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Nem para os namorados. Nem para os casados sem filhos.

E porquê, perguntam vós?

Porque os nossos aparentados, conhecidos e relacionados – sem qualquer malícia, atenção – padecem de uma capacidade incrível para nos fazerem sentir mal quanto à nossa prestação na sociedade.

O bullying é constante. Senão vejamos:

1. Se temos namorado/a e estamos bem tal e qual, os sintomas começam a manifestar-se ao fim de 6 meses juntos. Quando menos esperamos surge a manada de tias e amigas a sondar sobre o casamento, só que para ser ainda mais doloroso utilizam expressões antiquadas tais como “quando é que dão o nó?” ou “quando estão a pensar juntar trapinhos?”. E depois falam directamente para o nosso útero, aquele sítio onde elas acham mora o nosso relógio biológico, e dão-lhe instruções – “chop chop que já se faz tarde, eu com a tua idade já tinha o Fulano com 3 anos e estava grávida do Cicrano , olha que o tempo passa a correr!!…” – como se ele fosse o nosso centro de decisões e tivesse uma vontade irracional de procriar por si só;

2. Se efectivamente chega a haver casamento, deixam-se passar os 15 dias da lua-de-mel e no aeroporto dá cá dois beijos e “agora é ter filhotes”!! E depois é um tirinho até surgirem comentários intrusivos sobre ovulação e períodos férteis. Como se a meta já estivesse perto, só falta um Suissinho;

3. Se efectivamente se fabrica uma criança, “quando é que vem a próxima? Nem pensem em ter filhos únicos” e segue-se uma argumentação dolorosa sobre saúde infantil e as consequências de ter apenas um espécime;

4. E deixo o pior estado de todos para o fim: o solteiro. Nesse caso, só pode haver um grande vazio na nossa vida. Uma vida a solo é uma espécie de delinquência que se pratica ao nível amoroso, ninguém é feliz assim. E vai daí que tenhamos de levar com os olhares abatidos das tias, que já deixaram de perguntar se temos alguém – um flirt que seja! – e só pensam para dentro “Coitadita, ninguém lhe pega”.  E quando tudo indica que não vamos procriar nos próximos tempos vem a avó, sem qualquer tipo de filtro ou cerimónia, anunciar para toda uma multidão (aos altos berros, porque já não ouve nada) – “É UMA PENA, QUE ESTA MENINA TINHA AQUI UMA BELA ANCA” – enquanto nos dá palmadas na coxa – “UMA ANCA PARIDEIRA, COMO A AVÓ. ESTA ANCA DAVA PARA UMA NINHADA”.

Ahhh, a insustentável instatisfação do ser.

Ainda ninguém deu este nome a um livro. Shotgun!

 

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3 Comments Add yours

  1. Adriana diz:

    eu ando aí pelo ponto 4…it sucks!!!
    😦

  2. Nem para os casados com filhos. Pelos vistos há sempre espaço para “mais um”. Ou porque é o melhor presente para o filho único ou porque, tendo dois, se deve desempatar (no caso de ser um casal) ou tentar ter um de sexo diferente (no caso de serem ambos do mesmo género).

    A sabedoria popular ajuda: “não há duas sem três”, “três foi a conta que Deus fez”, etc. You name it.

    Creio que a coisa só serena a partir dos três (nem que seja porque se esgotam os proverbiais ensinamentos).

    1. ahahah muito bom Tiago! Compreendes a dor 🙂

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