Quando alguém aqueceu o assento antes de nós

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Aquele momento em que nos sentamos num sofá do Starbucks e o assento ainda está quente da pessoa que se sentou lá antes.

Não sei porquê, enoja-me deveras. Prefiro largamente ir esborrachada contra essa pessoa no metro, num corpo-a-corpo siamês tipo lambada, do que levar com o seu calor humano em ausência. Não sei, é daquelas coisas.

É que se pensarmos bem aquele quente veio de um rabo alheio. Emanou, digamos, da junção das nalgas de outrém – um qualquer transeunte do Starbucks, de quem nada sabemos – idade, origem, será de boas famílias? Um anónimo, peludo, porventura deslavado, befe. Passível de flatular. E tudo indica que o fez, a avaliar pela temperatura a que deixou o assento.

Consegue ser pior ainda quando conseguimos visualizar a forma das nádegas anteriores calcadas no sofá – dois contornos redondinhos só para tornar tudo mais real e tormentoso.

É que ir voluntariamente de encontro ao calor humano de uma parte íntima de alguém parece-me um passo um tanto ou quanto íntimo, reservado para o namorado, marido, porventura gigolô. Não me parece sensato materializar tal avanço com uma almofada de sofá.

A somar ao facto de, regra geral, o nosso befe estar à temperatura ambiente, o que nos condena a um inevitável choque térmico assim que o encostamos ao cadeirão de veludo em brasa.

Ora, tudo isto é invocador de algum nojo. Arrisco admitir que às vezes no Starbucks até fico ali a rondar o sofá à espera que arrefeça. Isto é, manifesto uma certa intenção de me sentar, mediante linguagem corporal, mas não me precipito.

O truque é avaliar bem a situação:

– se fizemos contacto visual com o seu ex-ocupante e testemunhámos o abando do sofá, é recomendável esperar entre 20 a 30 segundos antes de investir. Se a aparência era de algum desmazelo ao nível da higiene básica, dar mais 15 segundos ou ponderar outro cadeirão.

– se não fizemos contacto visual com o ex-ocupante é preciso ser paciente e dar mais tempo, não vá estar em brasa com o calor nalgal do seu ex-ocupante – nunca fiando, é recomendável esperar 45 segundos, no mínimo.

De nada.

Bumba na Fofinha

 

 

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3 Comments Add yours

  1. Teresa Seruya diz:

    Conheci um senhor que, em tempos que já lá vão, se levantou no eléctrico para dar o lugar a uma senhora. Ela agradeceu muito, mas não se sentou. Ele insistiu e ela respondeu que estava à espera que o lugar arrefecesse… Vai daí ele ficou fulo e voltou a sentar-se …. Isto é autêntico. A senhora é uma verdadeira antepassada do Bumba…
    Mimi

  2. Zélito diz:

    Prometo: evitarei doravante libertar gases, com ou sem aroma específico, com mais ou menos temperatura, em cadeiras ou outro tipo de assentos em lugares públicos. Eu pecador (ou peidador, conforme preferirem) me confesso…

  3. Yakob Levi diz:

    Os Chineses nos autocarros fazem isso. Quando alguem se levanta ficam a ocupar o assento mas com o rabo levantado uns 20 segundos antes de se sentarem. A Bumba sera Chinesa?

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