Aquele momento em que fui ao Lux para me lembrar de porque é que não vou lá

lux

Este fim-de-semana fui ao Lux, depois de vários meses de jejum. Jejum esse que me ajudou a esquecer porque é que tinha feito um jejum tão grande in the first place. Dúvidas houvesse, no sábado ficaram saneadas: o Lux é um verdadeiro aborrecimento. E é pena, porque tinha tudo para ser um discotecão, “A” cena da noite lisboeta. A vista é brutal, o espaço é um assombro e sou da opinião de que deviam beatificar os Luxini. Seria de esperar que houvesse paciência para aturar 50 minutos de fila todo o santo sábado.

Eu, confesso, padeci de um certo alzheimer emocional ao achar que sim. Mas meti lá os coutos no sábado e em menos de 10 minutos lembrei-me: caganda seca de música. Quer cá em cima, na música ambiente-que-não-é-ambiente, quer lá em baixo no antro do pecado, uma pessoa vai com pica nos pés e esbarra com aquela prepotência de playlist pseudo-electro-alternativó-cenas, e não há maior anti-tesão.

Perdoem-me os DJ’s visados mas parece que na cabina do Lux, regra geral, contraem a doença do anti-comercial e são possuídos pelo expoente máximo do tão, tão, tão alternativo que toda a gente vomita pelos ouvidos mas ao menos ufa, é hipster e cool.  Ou então é uma música tão, tão, tão visionária que o problema é estar à frente do seu tempo, e pode ser que faça o click lá para 2050 (mas aí já me vão doer as articulações quando dançar).

Mas isto sou eu, simples apreciadora de saídas à noite daquelas que fazem doer as palmas dos pés. Para quem sai e quer apenas beber uns copos, ver e ser visto, o Lux continua a ser ideal.  Eu, sinceramente, gosto de ritmo, melodia e de reconhecer um ou dois versos do refrão, caramba.

Resumindo, e falando por mim e não por todos, já me tinha esquecido que ir ao Lux é uma questão de “sorte”. É preciso ter sorte para esbarrar com uma noite de boa música – que as há, aves raras mas há – ou então mais sorte ainda para ter um bebedeirão nas ventas daqueles que tornam a música completamente secundária no acto de dançar.

E é engraçado como as pessoas se acomodam ao incómodo, porque mesmo que não gostem “tentam”, faz-se um “esforço”, bate-se um pézinho e no sábado seguinte lá se está de novo a fazer fila para largar 12 euricos.

Mal comparando, não é por acaso que as pessoas se divertem tanto em casamentos, de gravatas na testa e pés descalços, a lançar pernas à can-can.  É uma verdadeira feira das vaidades comerciais – Macarenas, Gipsy Kings, Follow the Leaders – que ali são perdoadas, obrigatórias até. E, num momento de libertação muito fugaz, ao menos a malta permite-se baixar a bitola musical para umas horas de pura loucura pimba.

E também não é por acaso que essas são as noites mais memoráveis de sempre.

Haja alegria.

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