“É Carnaval, ninguém leva a mal” – venha a menina colegial e a polícia que dá tau-tau

Alberto João Jardim

Eu gosto do Carnaval porque é um verdadeiro desfile de alter-egos. Aprecio bastante que os indivíduos aproveitem para soltar o heterónimo que há em si.

Aquilo que não têm coragem de ser durante o ano, personificam no Carnaval. Daí que abunde a menina colegial marota, a galdéria de cabaret, a polícia a distribuir tau-tau. Confessem, mulheres: é Carnaval, ninguém leva a mal, e não há pudor que resista. Para os sintomas graves de pudor felizmente existem mascarados de sensivelmente toda a gama de profissionais de saúde: médicos, cirurgiões, enfermeiras…

Essa é aliás uma das minhas máscaras preferidas: a da enfermeira rameira. O imaginário masculino fez milagres neste disfarce de Carnaval, porque eu pelo menos nunca ouvi falar de uma enfermeira que gostasse de exercer o ofício de ligas rendadas e tacões de stripper. Não é coisa para dar jeito na tarefa de acertar na veia ou mudar a fralda ao idoso.

Mas dizia eu que o Carnaval é o playground dos alter-egos. E aquele colega do trabalho enfezado, calças acima do umbigo, indícios de excessiva convivência com a mãe? Bondage com ele, ordena o alter-ego. Surge-nos forrado de cabedal e com um casaco aos picos. E nada no mundo nos preparou para reagir: “Ena pá, isso é que é, hã?” dizemos com desconforto, evitando palmadas no ombro derivado do perigo de trespassar a carne.

Pergunto-me se não haverá indivíduos que vivem 364 dias  do ano mascarados – de advogados, políticos corruptos (perdoem-me o pleonasmo) ou economistas – que esperam pelo Carnaval para ser verdadeiros. Só pode ser verdade no caso do Alberto João Jardim, cuja segunda pele são lantejoulas.  Estou convencida que se em qualquer momento lhe pedirmos para rasgar o centro da camisa qual Super-Homem, lá estariam elas, a cintilar com suor.

Mas levanto o chapéu ao Berto, porque ao menos leva o acontecimento a sério. Pessoas, há que entender uma coisa: se é para mascarar, mascarem-se à séria. Fato completo, licra, pantufa, serpentina, espada, pala. Da ponta do pé à ponta do cabelo. Todos nós temos aquele amigo que tem medo do seu alter-ego e põe só um bigode à Jonas ou um chapéu de cowboy. Ou seja, visto assim de repente é apenas e só uma pessoa normal que, por alguma razão dos demónios, resolveu espetar um bigode postiço nas ventas. E ninguém tem a coragem de lhe dizer que isso não é estar mascarado, é ser simplesmente ESTÚPIDO.

E depois há aqueles que até vieram mascarados,  mas ninguém sabe de quê. Na cabeça deles é ÓBVIO e não podia ser mais nada, mas nós não temos certamente o QI necessário para desvendar o personagem. E há sempre aqueles 3-4 minutos de diálogo constrangedor à volta do tema – “És O Padrinho?”. “Não”. “Hmmm… Frank Sinatra?”, “Claro que não pá!”, “O Mickey?”, “Humpfffff”, “Entãããão….pá, sei lá, qualquer personagem veste fraque, c*r#rlh*!!”.

(suspira) ….”John Travolta… não vês a cova no queixo?”

Epá, não.

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One Comment Add yours

  1. sara seruya diz:

    aqui fica soplenemente declarado que não vou mais dizer que adorei e me fartei de sorrir e/ou gargalhar, porque até poderá parecer risível, de parcial que possa ser – afinal sempre tenho afinidades com a bloguista, não é, é minha cria… mas ele há destas fraquezas de mãe… Espero que apareçam imensos “olhe que não, olhe que não é só por ser sua cira, etc, etc…” Sara

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