Mariana Seruya Cabral is in a relationship with Bumba na Fofinha

Toda a gente me critica porque sou desligada, não ligo pêva ao telemóvel e o normal é responder com um delay de 18h como se a resposta fosse actual e oportuna na mesma (desde já o meu perdão a todos os visados, vocês sabem quem são).

Mas nem 8 nem 80, gente. A malta hoje em dia faz malabares na agenda e lá consegue providenciar o milagre da multiplicação das 24h do dia para combinar o tão esperado café mas depois… quando finalmente vêem a pessoa e “ai Jesus que alegria”, o que é que fazem?

Grudam-se no telemóvel.  Perdemos a pessoa. A atenção deixou de estar em nós e nas nossas aborrecidas novidades ao vivo… elas já foram metidas no chinelo pelo ecrã do Iphone e do Blackberry, que lhes mostra um non-stop de status e fotografias dos 1000 amigos, respectivos pés pedicurados na areia da praia, silhuetas sexy’s em contra-luz, animais domésticos que invocam o grómito ou as refeições que ingerem – antes de serem ingeridas ou já em escombros no prato vazio – também elas invocadoras de grómito, às vezes.

E eu pergunto: de onde surge este hábito de estar com um amigo em carne e osso mas precisar, de forma sedenta, urgente, nervosa, de acompanhar a vida virtual dos outros 999 amigos? De disparar “likes” em todas as direcções e não perder pitada do que se passa no Facebook, no Instagram, no Twitter, no frlafm e no estafrlafm?  E o amigo de carne e osso que queria conversar fica ali, a assobiar para a atmosfera? O pobre nem tenta seguir o dedilhar nervoso do seu amigo adicto, porque aquilo é nesfasto para a saúde, é coisa para desgastar com severidade a impressão digital do polegar. Se calhar é esse o meu handicap, a ausência de um polegar veloz. O meu é apenas obeso mórbido, e impede-me de carregar numa só tecla de cada vez (maldito touchscreen!), razão que explica o meu delay habitual.

Mas quer dizer, quando é que os nossos amigos deixaram de saber conviver socialmente?  Quando estão connosco, querem é comunicar com as pessoas com quem não estão. E quando estão com essas, querem é comunicar connosco. E bumba na fofinha, polegar em chamas.

Eu sinceramente acho que é a grande muleta de desconversação de 2010 em diante, o equivalente a falar sobre o tempo ou comentar a temperatura do mar durante as férias, mas com a óbvia vantagem de podermos exercitar a nossa curiosidade Big Brother na vida das outras pessoas. Não temos rigorosamente mais nada de interessante para dizer, por isso pegamos no telemóvel e fingimos demência ocupacional, de sobrolho franzido e modo “busy as a bee”.

E o que me revolta mais é o nível de influência da rede social para asseverar a nossa existência. Hoje em dia, o que não foi devidamente documentado pelo nosso perfil da rede social, não aconteceu. E o que aconteceu está publicado nas várias plataformas sociais. Perante a nossa ignorância sobre as suas férias em Punta Cana, ao amigo adicto sai-lhe um indignado “Então mas não viste o álbum?!? Eu pus as fotos no Facebook!!”. Epá, não. Não vi. Nem o teu nem o do Fulano em Bali e do Sicrano em Budapeste. (sufocando um “TENHO MAIS QUE FAZER, B*R#LH@!”). Tivesse o Descartes nascido na década de 90 e o seu status de Facebook seria “Publico, logo existo.” Logo a seguir à fotografia dele mais a Pantufa @praia das Avencas, near Cascais.

Conclusão: já nem vemos o mundo, depois na nossa córnea vem a objectiva do Instagram e da LemeCam. Já não conversamos, “batemos-papo” pelo Facebook, Whatsupp ou Gmail. Já não debatemos interesses, “pinamos” no Pinterest (salvo seja.)

Contra as minhas adesões virtuais falo porque se não as combato junto-me a elas, ainda que em doses moderadas. Mas perante o excesso, se providenciassem o botão no final deste texto, colocaria o meu soturno “Dislike”.

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3 Comments Add yours

  1. José M Seruya diz:

    não posso estar mais de acordo, fónix!

  2. Isabel d'Orey Tinoco diz:

    tens toda a razão Mariana!

  3. Marta diz:

    Miris!! Tens toda a razão. Mas isto é uma realidade que já vai sendo percebida pelas pessoas…

    Check this out:
    http://www.causes.com/causes/648905-national-day-of-unplugging/actions/1533560
    http://money.cnn.com/2012/08/16/technology/restaurant-cell-phone-discount/index.html

    E como não podia deixar de vestir a camisola :), a Euro fez um estudo sobre a vida digital de onde se concluiu que esta dependência irá mudar (não vamos ficar menos dependentes mas a dependência será diferente!).

    http://www.prosumer-report.com/blog/category/this_digital_life/

    Either way escreves bem até dizer buma na fofinha.

    Dude, you should be a writter!!

    Beijinhos

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