Cliché do Insta: “As minhas pernas na praia”

29 Sep

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Cliché do Insta: “Eu na praia com um livro de algum relevo intelectual no regaço para disfarçar o verdadeiro propósito que é mostrar umas pernas bem torneadas (à primeira vista espantosamente parecidas com duas salsichas Nobre) e fazer inveja aos outros por estar na praia e eles não.

Legenda da foto poderá ser uma de duas: ou ironizar marotamente com um “Ah, vida difícil…” ou pontuar poeticamente com uma citação do próprio livro – ex: “Ela olhou-o uma última vez e prometeu a si mesma que a partir dali tudo ia mudar…” – deixando no ar uma série de segundos sentidos misteriosos para deixar os seguidores a conjecturar… (auxiliando o suspense com um uso excessivo de reticências…sempre…)

Eu em hotéis com mais de 3 estrelas

29 Sep

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Sabem aquelas pessoas que não estão habituadas a estar em hotéis com mais de 3 estrelas e que vibram demasiado com tudo o que é oferecido, para embaraço profundo de quem as acompanha?

E que precisam de sentir que aproveitaram ao máximo e portanto não descansam enquanto não usarem TODOS os serviços gratuitos e TODOS os brindes do hotel?

Ya, sou eu. (nesta foto já me tinha besuntado em loção de corpo grátis e já tinha guardado na mala a mini escova e a mini pasta, o mini sabão, a mini lima das unhas, a touca de plástico – que vou usar praí nunca – o gel de banho, a garrafa de água de boas-vindas, o lápis do hotel, e o estojo de costura que na verdade não há relatos de alguém ter conseguido usar porque aquilo é mínimo e deve ser feito em Lilliput.

Estes chinelos que parecem feitos de papel cavalinho para lá caminham, ainda vou beber 2 ou 3 copos da água de pepino que oferecem na entrada, vou mergulhar discretamente a mão na jarra de rebuçados do balcão do check-in e com jeitinho ainda levo uma carcacita a mais do pequeno almoço. Para a viagem.)

Enfim, ponham-me um hotel condigno à frente e vejam a incrível metamorfose de bumba a bimba em menos de 8 brindes grátis. 

Não sou radical que chegue para ter uma Go Pro.

29 Sep

Agora a sério isto de ter uma Go Pro dá um estilaço, uma pessoa anda com aquilo agarrado à cabeça, ao peito, à bicicleta e sente-se bestialmente aventureira, tipo como quando usávamos aquelas calças da Coronel Tapioca e estávamos prontos para galgar o mundo, fosse de calças ou calções, com 1089 bolsos e bolsinhos para o que desse e viesse.
Mas ser dona de uma Go Pro não é para mim, está visto.
Eis o que consegui filmar até agora:
. Vídeos com movimentos de câmara tão epilépticos que dão vontade de bolçar ao fim de 2 minutos a ver;

. Vídeos com a caixa à prova de água completamente embaciada, ou seja borrões de cor em movimento 

. Selfies de 3 minutos com cara de parva porque afinal estava em modo vídeo 

. Vídeos com o dedo a tapar metade da imagem 

. Vídeos de mergulhos que nunca apanham o que interessa mas captam sempre aquela maminha marota a espreitar pelo biquíni em desgoverno  

. Vídeos debaixo de água em que acho que estou a filmar coisas interessantíssimas mas na verdade estou a filmar os insectos mortos no filtro da piscina (infelizmente não consigo abrir os olhos debaixo de água) 

. Vídeos que tinham tudo para ser lindos se não se descobrisse depois que tinham uma gota de água monstra mesmo no meio da lente, a estragar o plano todo 

. Vídeos de, achava eu, belíssimos momentos de snorkeling com peixes coloridos e exóticos, e eu radiante por ter apanhado tudo com a Go Pro na cabeça, mas quando chego a casa e vou vê-los constato que toda eu estava dentro de água menos a Go Pro, que ficou cá fora tipo barbatana de tubarão, a filmar a superfície da água (que é, de resto, um filme de 1h35m extremamente interessante). E os poucos peixes que apanhei sem querer estavam tão longe e tão desfocados que podiam ser tainhas do Tejo. 

Não sou radical que chegue para a Go Pro, é o que concluo.😦

Cliché do Insta: “Eu encostada a um edifício aleatório.”

29 Sep

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Cliché do Insta: “Eu encostada a um edifício como se parar aqui fosse um mero acaso.”

Porque no mundo fictício do Insta é absolutamente normal e corriqueiro alguém propor: ei, estava aqui a pensar e que achas de parares o que estás a fazer e ires ali roçar esse corpo naquela casa caiada de branco com janelas e rodapés de cores vivas que calham contrastar mesmo bem com a roupa que trazes hoje, para eu te fotografar espontaneamente? E que para além de mostrares esse corpanzil #superfit e esse traje #fashion, até dá para fingir que estás em #marrocos ou #santorini?

Mas não convém abrir muito o plano porque senão percebe-se que na verdade é um prédio em demolição nos arredores de #santotirso? Que é que achas? Melhor ideia de sempre?

Cliché do Insta: “Eu a meter nojo com as minhas épicas férias”

29 Sep


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Cliché do Insta: aquela chapa mete-nojo de quem esteve a suar do bigode Agosto inteiro à espera de se vingar com umas férias marotas na última semana de calor. Por isso aqui têm mais este cliché: euzinha, hashtag #blessed, com este ar contemplativo e #gratopelascoisasboasdavida à beira da piscina, paisagem estupidamente pitoresca atrás, embora nos bastidores deste sorriso 33 haja um esforço hercúleo para manter uma postura digna, costas direitas a um nível quase anti-natura e as pernas levemente içadas (com enorme esforço abdominal) para a gordura das coxas não se esparramar e expandir pelo parapeito da piscina fora. De 2 em 2 segundos, sem desfazer o sorriso 33, pergunto em súplica “Já tá? Já tiraste?! Vá lá, despacha-te!” e findo este pequeno teatro interrompo o exercício de sucção do tórax e devolvo ao ar livre o meu pequeno pneuzinho de chicha visceral, que tanto faz por mim na hora de boiar sem esforço de um lado para o outro da piscina (o quê, achavam que me deslocava em mariposa? Não sejam tolos.)

Cliché do Insta: “Eu a ser epicamente saudável ao pequeno-almoço”

29 Sep


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Cliché do Insta: “Eu a ser epicamente saudável como se pode constatar por este pequeno-almoço à base de granola, iogurte natural, fruta, antioxidantes e outras coisas que fazem fazer imenso cócó – todas confeccionadas sem glúten, lactose, açúcar ou qualquer tipo de felicidade – com um ou outro bibelô fofinho completamente aleatório a dar aquela patine decorativa que fica tão bem no insta (nesta obra pus o que tinha à mão, à falta de ramos de alfazema seca, velinhas com cheiro ou um labrador a aconchegar os pés).

Hashtag #morning#ilovemylife#carpediem como se os meus pequenos almoços fossem o momento alto do dia em toda a sua tranquilidade, esplendor e glamour, e não 3 sôfregos minutos de um mau humor grotesco a tentar enfiar 2 torradas mal paridas pelo goto e mandar um penálti numa caneca de café a ferver com um palavrão por queimar a língua, de pé e a correr pela casa, cabelo molhado e tão cheio de nós que mais vale deixar formar rasta, mil coisas nas mãos, torrada equilibrada na boca, conduzir na bisga e encher o carro de migalhas com glúten, chegar ao trabalho esbaforida, desgrenhada e com hashtag #ihatemylife, naquela de tentar não ser despedida por mais um atraso injustificado de 25 minutos.

Ah, e como se num mundo ideal não fosse 1000 vezes preferível substituir um pequeno almoço de alpista por 4 croissants com manteiga e um café com leite daqueles que demoram 9 dias a digerir. 

Diários antigos: vergonha alheia ou própria?

29 Sep

Ando em arrumações lá em casa e encontrei os meus diários antigos do 7º ano. Daqueles com cadeado e um enjoativo cheiro a alfazema. Várias coisas a apontar sobre a minha maravilhosa narrativa diária:

. Vergonha alheia. Ou própria, não sei bem. Alheia porque felizmente já cresci e não me reconheço no gremlin pespineto e revoltado que era com 13 anos. Própria porque, enfim, continuo a ser eu não é?

. Temas recorrentes: borbulhas, rapazes, odeio o mundo, borbulhas, rapazes. Todos os dias “amava” um rapaz diferente. Amor puro, das masmorras do coração, com oscilações líricas desde a euforia à depressão consoante o balanço do dia e o número de olhares trocados. Esse era outro pormenor: quase nunca chegava realmente à fala, era sempre um amor platónico, consumado em X número de vezes que eu olhava para ele e ele para mim, mesmo sem querer, e isso bastava-me para subentender toda uma trama romântica autónoma, porque na minha cabeça o mundo real era exactamente igual ao da Malhação.
Sofria, chorava, escrevinhava tudo no diário, acordava no dia seguinte e apaixonava-me por outro. Fácil.

. Há claramente um TOP 3 de expressões mais usadas: 1. “QUE SECA.” (sobre as aulas, a missa, eventos com pessoas mais velhas, etc) 2.”ODEIO O/A PROFESSOR/A DE XX” (todos, na verdade) e 3. “QUE NOJO.” (sobre os mais variados tópicos, a merenda da cantina era um nojo, levantar cedo era um nojo, o dedo gordo do Tozé era um nojo, beijos com demasiada língua eram um nojo). Sempre em CAPS LOCK, para acentuar ao máximo a verdadeira tragédia incompreendida que era a minha vida na idade do armário.

. E há mais e pior. Fumar atrás do pavilhão sem saber travar, respostas insolentes à directora de turma, experiências alcóolicas de quase-morte com bebidas verdes e azuis fluorescentes.

A sério, ganhei um novo respeito pelos meus pais. A adolescente que fui podia muito bem ter levado uns quantos tabefes extra com a parte de trás da mão.

Agora não sei bem o que fazer. Isto dá-me um misto de saudades com vergonha com nostalgia com embaraço com tanta coisa que não sei se guarde isto se queime. Any thoughts?

Do Prato à Boca

"Come que estás magrinho"

O Príncipe em São Tomé

As aventuras e desventuras do intrépido príncipe em São Tomé (volta e meia vão aparecer gajas nuas)

aventure-se.com

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"It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair" - Charles Dickens

Reciclagem de trivialidades com visitas regulares à Parvónia

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