Quando o Senhor do Bonfim mandava em nós

20 Aug

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E aquela moda de tempos passados da pulseirinha do Senhor do Bonfim?

Aquele ritual de passagem super-fixe para fazer com as BFFs na idade do armário cada miga com uma cor diferente.
3 nós, 3 desejos, e depois era “só” esperar que se desintegrasse e caísse.
Passado uma semana já não podíamos com aquilo.
Passado 1 mês descolorava e passava a ser uma pulseira do S N O D BO FI .
Mas cortar dava azar por isso lá nos resignávamos e passávamos a encarar aquilo como uma espécie de prótese durante anos, no liceu, viagem de finalistas, praxes, faculdade, primeira entrevista de trabalho… sempre com Salvador da Bahia a sambar à força na nossa mão ou pé.
As mães desesperavam e perseguiam-nos de tesoura em riste. Mesmo com a toilette mais chic de casamento, a pulseirita sozinha conseguia dar aquele seu toque de varina pé-de-chinelo.
E 9 anos mais tarde continuávamos nós com aquilo preso ao pulso, já reduzido a um farrapo carcomido, a minar qualquer chance de sermos levadas a sério na vida adulta.

E o problema é que naqueles tempos os desejos ficavam obsoletos muito rapidamente. Se o desejo inicial da pulseira era amor infinito com o Zé do toldo ao lado , no dia a seguir afinal já era o irmão mais velho da melhor amiga, e no dia a seguir o rapaz com cabelo à foda-se avistado ao longe no Zoomarine.
O que, evidentemente, criava um problema logístico nas bases de dados de amor infinito, e nos obrigava a atualizar telepaticamente os desejos da dita 3, 4, 20 vezes quando éramos frescas.
Não espanta, portanto, que o desejo final às tantas fosse que aquela praga caísse de vez, apre.

E não fosse tudo isto chatice suficiente, quando se dava o milagre de cair ainda tínhamos de guardar religiosamente os restos mortais e fazer o quê? Deitar só ao mar era fácil de mais, não era seus burlões de Salvador da Bahia made in China?

Não senhor, tinha de se deitar na SÉTIMA ONDA a contar do…. a contar do quê, realmente? Pois, nunca ninguém percebeu.
Ou seja, 9 anos a aguentar com esta merda para depois deitar tudo a perder na onda errada.
Tu-do-bem.

Esta teria sido sem dúvida a grande candidata a moda de Verão mais parva de sempre.
Mas pronto, entretanto inventaram os terérés.

 

 

Uma craque a jogar ao STOP

20 Aug

Aquele momento em que te apercebes de que ainda és uma mera criança presa num corpo adulto quando acabas de aprender uma palavra nova e tudo o que pensas é: “vou usá-la no próximo jogo do STOP e fazer um brilharete.”

Não sei quanto a vocês, mas eu sou alta máquina a jogar ao STOP.
Tenho um arquivo de palavras memorizadas para cada letra. Tirando o X, o Z, o K, o Y e o W, que são lixadas e a linha fica sempre em branco com tudo a olhar uns para os outros com ar de parvo à espera da desistência colectiva.

Tipo, escolham uma letra ao calhas. O quê, a letra “A”? Por-fa-vor:
Amílcar, Arménia, Andorinha, Amolador, Almofada, Ameixa, Anil, Amígdala, Anthony Hopkins STOP.
Fa-cí-li-mo.
Está claro que depois ninguém neste mundo descodifica os meus rabiscos de médico a não ser eu, mas who cares.
O problema do STOP é que depois de tantos anos ainda há malta que não percebe o segredo do jogo e opta por banais “Ana, Alemanha, Amália Rodrigues” e outros que tais. Põem Joões com J e Marias com M.
Estudassem.
Mas aborrece quando ninguém dá luta nos 20 pontos.
E quando nos davam aquelas brancas monumentais tipo “Países com “P”, catano?!?!”
De lápis em riste, “Objetos com L, FÓNIX?!?”
Ou, pior ainda, quando éramos os únicos a quem faltava uma categoria que era canja e que já todos tinham, e ainda nos humilhavam mais com um “Oh, é ÓBVIO.” Intensificavam o olhar e tentavam transmitir algo por telepatia mas na nossa cabeça só existia o assobio do vento. “DUUUUUHHH. PENSA LÁ, VÁ. PÁ, A SÉRIO?!”
Era um nome com M, tipo, sei lá, assim de repente: o nosso.

E quando tudo isto redundava em discussões filosóficas que duravam horas e quase acabavam relações, do estilo “Mas aspartame não é um objecto, ó batoteiro!” // “É sim porque tudo o que se pode pegar é objecto!” // “Isso é estúpido porque então com um guindaste gigante o suficiente eras capaz de arrancar a Alemanha do chão e pegá-la ao colo – isso faz dela um objeto?!”
E assim sucessivamente pela madrugada fora até alguém se deixar vencer pelo cansaço.

A cena chata agora é que existe a internet para confirmar tudo. Na áurea era do analógico, cheguei a conseguir convencer o meu irmão de que existia uma famosa com W chamada Wanda Stuart, jurei a pés juntos que Iena era com I e inventei um fruto chamado Namasco.

Bons tempos

Os 10 Tipos de Bronzeado

18 Aug

É ou não é verdade que em todos os grupos de amigas há sempre um elemento a representar cada tipo de bronze:

#1
Aquela amiga que se estende ao sol no 1º dia de praia do ano e passados 7 minutos já está a levantar a cueca para ver se tem marca;

#2
Aquela amiga que se bronzeia monumentalmente em tempo record, mesmo quando está à sombra, mesmo quando está nublado, mesmo quando chove. A sacana da miúda tem mistura, só pode;

#3
Aquela amiga que adora competir com os bronzeados das outras. Está sempre a pôr o braço lado-a-lado para se regozijar com a sua supremacia. É também aquela que vai à praia e segue religiosamnete os movimentos do sol com a toalha tipo compasso, e vai rodando tipo carne kebab para queimar tudo por igual;

#4
Aquela amiga leitosa que assume que tem de passar pela fase de langostim para conseguir atingir os objectivos por isso desde o primeiro dia que se besunta em óleo bronzeador na hora do cancro e venha daí esse escaldão;

#5
Aquela amiga que apanha escaldões em sítios estranhíssimos, tipo atrás das orelhas, na planta dos pés ou na borda das nádegas;

#6
Aquela amiga que adormece de barriga para baixo ao sol e passa o resto do Verão a tentar compensar a parte de cima;

#7
Aquela amiga I  Cantê que adora ser montra de biquínis, triquínis e fatos-de-quínis da moda cheios de folhos e cruzamentos de tiras extremamente complexos e que por isso acaba com 20 marcas diferentes e um bronzeado que parece o tecto da capela Sistina;

#8
Aquela amiga com pavor à hora do cancro (sensata, de resto) que se besunta em factor 50 de tal forma que parece que o corpo foi caiado de branco, e apesar de a avisarem que está mal espalhado ela não se importa de parecer o Gasparzinho até a pele absorver aquela camada pastosa apenas 48h depois;

#9
Aquela amiga que se lembra com nostalgia de ficar da cor do carvão quando era pequena mas que à medida que foi crescendo foi perdendo esse super-poder e cada vez se bronzeia menos. É o meu caso, e entristece-me;

#10
Aquela amiga esquálida com um tom de pele tão branco que aleija fazer contacto visual directo. E que é sempre alvo de bullying quando se gaba de já ter “uma corzinha” porque na verdade não passa de um levíssimo tom de casca de ovo. Aí ela indigna-se e baixa a cueca para mostrar o antes e o depois e afinal há branco mais branco que o branco.

É não é?

O meu suor é esquizofrénico

18 Aug

Incrível como sou incapaz de produzir uma gotinha de suor a malhar no ginásio, mas bastam-me 4 minutos lá fora e viro o Iguaçú.

Podia ter nascido princesa e não suar de todo, como tantas moçoilas que conheço, que apenas arfam e ganham leves rubores.
Só que não.
Este lombinho verte que é uma estupidez.
E já que tenho mesmo de suar, ao menos que fosse aquele vaporzinho a decorar a testa como se vê nos anúncios da Nike, ou uma condensação marota a descer pelas costas, uma ou outra gotita sexy a pontuar a nuca…

Mas não. Havia 1001 sítios mais dignos, mas este corpinho decide expelir 100% do seu suor por onde? Pela borda das nádegas. Apenas e só.
Aquela dobradiça adiposa fim-de-nalga-início-de-coxa, estão a ver? São aí mesmo as cataratas do Iguaçú, lado brasileiro e lado argentino.

A grande questão é que isto até seria fixe se desse para emagrecer e tal. Mas não, este corpinho sua líquidos na mesma medida que retém. As pernas incham, as nádegas suam, e assim sucessivamente com setinhas circulares até se gerar aqui um bonito ecossistema sustentável em que dá para estar 24h/7 a movimentar líquidos que é uma alegria.

E com este bafalhão bastam 5 minutitos de raios UV que quando dou por mim já tenho duas bolas tingidas no befe e não há nada a fazer senão esperar que sequem ao relento. Que dignidade.

E o pior mesmo é quando uma pessoa leva saia e começa a sentir as gotas a descer e fazer rappel pela perna fora, num misto de cócegas e desconforto que impedem o cérebro de pensar noutra coisa, até desaguarem ali perto do tornozelo, deixando um carreirinho molhado atrás de si.
Ainda dizem que as mulheres não suam.

40º graus este fim-de-semana.
Boa sorte a todas.

Uma barata no sofá

18 Aug

Isto podia ser o título de um conto de crianças mas não é. Ontem cheguei a casa e tinha uma gigantesca barata no meu sofá. Alegremente sentada no MEU lugar habitual.

Malta, eu até gosto de bicharada. Gosto de traças, brinco com osgas, simpatizo com centopeias, apanho as aranhas pelas patas, diria que no geral até sou bastante Mogli a lidar com a Natureza.

Mas quem me conhece sabe que poucas coisas me tiram mais do sério que uma barata tamanho XL.
Aquela carapaça estaladiça, aquele pantone castanho-envernizado, aquelas patitas ágeis experientes em escalada, aquelas antenas enormes a apanhar os 4 canais generalistas.
Fiquei possuída de nojo.
Reagi com aquele histerismo de quem de repente se lembra que está a pisar um chão de lava e em menos de 3 segundos já tinha perdido a minha dignidade a dar saltinhos enojados e guinchos de “ai que nojo” num décibel que faria inveja à minha avó.

Há um fenómeno curioso que acontece quando o pânico nos impede de pensar racionalmente, que é concluirmos de uma assentada uma série de coisas estúpidas: a primeira é que se está ali uma barata é porque o chão todo deve estar contaminado com famílias inteiras de baratonas assassinas, haverá de certeza ninhos escondidos nos canos, uma barata-mãe do tamanho de um melão a reproduzir-se algures, e é um tirinho até começarem a sair pragas infinitas da parede tipo Jumanji.
A segunda é que a partir deste avistamento qualquer comichão nas pernas é uma barata a subir. Qualquer cabelo a roçar no pescoço é um ataque concertado de baratas ninjas.

Respirei fundo e alcancei o meu sapato enquanto ela ainda estava estática. Arrependi-me logo porque depois não queria pousar o pé descalço no chão contaminado, e se já é difícil matar baratas num dia normal, vão lá tentar matá-las ao pé-coxinho.

E o pior é que se não somos logo certeiros na sapatada sabemos que aquele estupor vai desatar a correr de forma desvairada em todas as direcções, a uma velocidade que o comum mortal não consegue acompanhar.
Engoli em seco.
Ganhei balanço cá de trás e dei-lhe uma trolitada com tal violência que acertou mais ou menos ao lado na almofada do sofá e ela foi projetada tipo trampolim e voou pelos ares (nem ela sabia que conseguia voar) até se escapar para debaixo do sofá, enquanto eu fugia aos guinchos para cima de uma cadeira.

A suar do bigode, fui buscar a lata de insecticida, o nojo a dar lugar a uma raiva maior, aponto com a lanterna do telemóvel, rabo para o ar a perscrutar debaixo do sofá, encontro a vacôncia escondida atrás de uma das pernas do sofá, concentro-me, faço pontaria com o spray…
O que se seguiu foi um momento épico muito semelhante ao “Freeeeedoooom” do Braveheart, em que palavra de honra que estive cerca de 45 segundos non-stop a disparar o spray em todas as direcções, um desejo de vingança (e o cheiro tóxico, talvez) a cegar-me os olhos, já nem via barata em lado nenhum mas continuei a carregar com toda a força por muito mais tempo do que o necessário, e de repente aquilo parou de deitar, e foi quando percebi que já tinha gasto uma lata inteirinha de Dum Dum com aquele estupor.

O ar ficou irrespirável, claro. “Vou abrir a janela” pensei eu, mas rapidamente mudei de ideias porque esta bicharada cheira os defuntos e dali a nada tinha a família inteira à porta, e eu sem Dum Dum.
Perdi o estupor de vista, fiquei a pensar se já teria morrido o suficiente ou se ainda teria força para se arrastar para o meu quarto só para me atormentar.
Pelo sim pelo não, fiz uma muralha de t-shirts velhas a tapar as brechas da porta.
Dormi em ansiedade.
Hoje de manhã ainda se fazia sentir o pivete a Dum Dum e fui dar com o estupor de perninhas para o ar no chão da sala, últimos segundos de vida, a mexer-se em câmara lenta.
Deixei-a sofrer. Que é para verem a menina que aqui está.
Estou a brincar, simplesmente tive nojo de a apanhar.
Deixei o trabalho de coveiro para outra pessoa, que eu já passei por muito.
Cerquei-a num tupperware ao contrário que nunca mais vou usar.

Neste momento já estou a 15 km de distância e não sei porquê ainda tenho uma ansiedade miudinha.

Boost Post

Um passeio na Decathlon faz maravilhas

7 Aug

Acabei de deambular quase 35 minutos pelos corredores da Decathlon. Fingi para mim mesma que estava verdadeiramente interessada em variadíssimos artigos de escalada, montanhismo e caminhada. Apreciei com sapiência uma série de aparelhos de cardio-fitness. Testei a robustez do material de um kayak com uma palmada vigorosa. Peguei numa raquete de padel e simulei um gracioso movimento de bater bola, e acho que enganei alguns empregados ali à volta. Galei uns ténis de corrida estupidamente caros e ameacei inclusivé levar uns pesinhos de 3kg daqueles que se algemam aos tornozelos nas aulas das velhas (como se alçar o peso original da minha perna não fosse cansativo por si só).

Contas feitas, consegui convencer a Decathlon de que sou uma atleta olímpica em potência, e o melhor é que por breves instantes a Decathlon quase quase quase que me convenceu disso também, até que algures no corredor da caça desportiva acordei desta hipnose, a verdade atingiu-me como um raio e eu de repente lembrei-me de que odeio exercício físico.

Larguei os artigos todos que tinha na mão como se fossem lepra (uma braçadeira para ir correr com telemóvel!….em 3…2…1… bahahahahaha) e acabei por comprar a esteira insuflável que me levou lá in the first place, para me esparramar ao sol que nem uma lula acamada durante o máximo de tempo que a minha bexiga aguentar sem se aliviar.

E só paguei 12,5€, mas saí de lá a sentir-me bestialmente saudável e com o efeito placebo equivalente a 2h na elíptica. Foi revigorante, aconselho vivamente.

Depois fui enfardar meio pacote de batata-palha.

Porque é que todos temos uma pasta no computador chamada “Outros”?

7 Aug

Que basicamente usamos como sucata virtual para despejarmos todo aquele sortido de documentos sobre os quais não nos apetece tomar uma decisão (apesar de sabermos que no fundo, no fundo, são lixo)?

E acabam por ser como aqueles talões de compras que uma pessoa deixa apodrecer no purgatório entre o bolso das calças e o caixote do lixo, e ficam a vadiar em gavetas escuras de halls de entrada para sempre, apesar de sabermos deep down que nunca mais vamos olhar para eles mas a ideia de os deitar fora gera uma certa ansiedade cá dentro porque nisto da vida uma pessoa nunca sabe o que o futuro reserva?

E o pobre documento_ostracizado.doc, que deixou de ser digno de uma pasta oficial daquelas ordenadas em bonitas filas no desktop, é alvo da nossa demência e arrastado para o cantinho demoníaco onde se localizam as catacumbas da pasta “Outros”, ad eternum, onde para sempre é condenado a uma existência moribunda e solitária ao lado do Europass_English.doc, o Teatro_Natal_2001.doc e o Eu_quando_era_gorda.jpg, a desejar até ao fim dos seus dias a misericórdia de um recycle bin?
Porquê, meu Deus?!?

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As aventuras e desventuras do intrépido príncipe em São Tomé (volta e meia vão aparecer gajas nuas)

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"It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair" - Charles Dickens

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